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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Historieta Nº 01 - Um caso de amor com os Quadrinhos



Prezados amigos, saudações!

Não sou um pesquisador, preciso avisar isto. Para ser pesquisador o cara tem que ser muito bom no que faz, tem que ter um profundo conhecimento do assunto e eu não estou qualificado para sê-lo, portando peço de antemão perdão por qualquer erro histórico que eu venha aqui cometer. Este blog apenas mostra a visão de um fã sobre o trabalho de autores que são mestres em nossa amada Nona Arte. Outro esclarecimento é a respeito do título do Blog: quando digo "preciosa" não é porque minha coleção esteja permeada por edições raras e de custo monetário altíssimo, e sim porque as considero assim: preciosas! Cada quadrinho, cada personagem, cada fala, para mim são todos especiais, únicos, de valor sentimental inestimável!
Aqui neste blog falarei dos quadrinhos que tenho em minha coleção e que fazem a alegria deste coração que teima em não se tornar um adulto, mas permanece uma eterna criança! E não podia deixar de nesta primeira postagem falar de uma das revistas mais importantes da minha coleção: Historieta nº 01, do nosso saudoso Oscar Kern, que nos deixou este legado maravilhoso! Sem mais delongas vamos a ela!

HISTORIETA Nº 01 - UMA DECLARAÇÃO DE AMOR AOS QUADRINHOS!

Kern era um poeta apaixonado! Só isso explica a preciosidade que é a revista Historieta! A revista é permeada de informações como a que diz que na década de 60 as revistas Batman e Superman haviam sido proibidas de circular no Rio Grande do Sul em detrimento das revistas da CETPA, entre elas a de ABA LARGA, e que tal atitude não funcionou pois o público não correspondeu às expectativas da editora, resultando a iniciativa em fracasso. A revista ainda abria o editorial anunciando o espaço para autores interessados em publicar suas Hqs.

A primeira história da revista, que se apresentava em formato "cartilha" trazia o super-herói HOMEM-JUSTO, com texto do próprio Oscar Kern, desenhos de Ailton Elias e letras de D. Maldonado, personagem que já havia sido publicado pela já extinta editora M&C de São Paulo.
Nesta história o Homem Justo aparecia misteriosamente no centro da cidade de Porto do Sol para ajudar a solucionar um caso de sequestro de uma criança. Com seus misteriosos superpoderes o HOMEM-JUSTO dá uma surra nos captores do garoto e o resgata, para alívio da desesperada família. Genial o texto de encerramento da HQ, onde em resposta à pergunta do Inspetor de Polícia, o Homem Justo responde: "Digamos apenas, Inspetor, que procuro ser um homem JUSTO, só isso." - Genial!
Em seguida temos uma excelente matéria de autoria de JORGE BARWINKEL sobre quadrinhos antigos e sobre as revistas que fazeram a alegria de muitos nos primórdios das Hqs no Brasil, como O GLOBO JUVENIL, O GURY, FANTASMA, DICK TRACY, FLASH GORDON, LOBINHO, BIRIBA... como eu queria ter lido essas revistas... Era o advento da televisão e ele atribuia o esmorecimento dos leitores à dita cuja "a exemplo das histórias de Flash Gordon", como ele mesmo cita. Hoje lançamos a mesma culpa sobre a Internet e os vídeo games e juramos de pés juntos que a televisão não teve nada a ver com o declínio dos quadrinhos nos anos 60! Curiosidades das gerações! A matéria é um achado imperdível para quem quer saber história dos quadrinhos no Brasil! A seguir uma declaração de amor de Kern e Elias aos quadrinhos: A HISTÓRIA DOS QUADRINHOS! Uma história cheia de achados emocionantes e referencias maravilhosas! Eu me emocionei a cada quadrinho lido e agradeci a Deus por eles terem produzido algo desta natureza. A primeira parte de A HISTÓRIA DOS QUADRINHOS narra episódios curiosos e tristes. A primeira referencia aparece no início da história quando o YELLOW KID com sua característica camisola e as legendas que lhe eram peculiares avisava sobre os cuidados com a cronologia. YELLOW KID, criação de Richard Fenton Outcault é apontado aqui como o predecessor direto das histórias em quadrinhos, mas não apresentava diálogos em balões em suas histórias, por isso sua fala aqui é em forma de legenda em sua camisola. Em meio às homenagens, os autores da história "apareciam" sempre nas sombras ou de costas para o leitor, evidenciando que quem estava em destaque mesmo eram os personagens e não eles! Muito bem sacado! as referencias seguintes são curiosas e de valor histórico, pois fazem refrência a personagens que seriam inspirados no mágico MANDRAKE, a saber o mágico KARZONI que, diferente do personagem de Lee Falk, que fazia mágicas com truques hipnóticos, alterava de verdade a realidade. Para quem não não sabe, Karzoni foi o nome que o mágico ZATARA, pai da feiticeira ZATANNA recebeu quando foi publicado em "Suplemento Juvenil " e em "Lobinho" e ele usava cartola, assim como Mandrake; ZAMBINI, da Archie Comics, publicado em "O Globo Juvenil" aqui no Brasil; e também Mr. X, criação de Will Eisner e Bob Powell, publicado em "O Guri"; tanto Zambini quanto Mr. X usavam turbante mas sempre foram comparados ao Mandrake e isso é narrado nesta HQ sensacional de Kern e Elias. Em seguida são introduzidos os personagens principais da história, o CAREQUINHA e seu amigo índio HUGO, que após conversarem com o autores são enviados para conversar com ningém menos que BILLY BATSON, o qual informa que não trabalha mais em "historietas" e que o CAPITÃO MARVEL se encontra enclausurado em um Presídio. Esse fato apresentado na história é a visão de um fã sobre o acontecido entre DC e Fawcett Comics, quando a primeira acusou a segunda de plágio ao personagem Superman e o Capitão Marvel foi impedido de ser publicado. Quando Carequinha e Hugo conversam com o Capitão Marvel na cadeia, Carequinha pergunta então se Supermoça e Superboy não seriam plágio de Mary Marvel e Capitão Marvel Júnior. É a indignação dos autores expressa na hq de uma maneira que faz com que de nós mesmos parta essa indagação, mesmo décadas após o acontecido. Inclusive antes disso, Ailton Elias (sempre com o rosto oculto) reclama do fato e diz que "a medida parece, a nós brasileiros, muito antipática. Eu gostava do Capitão Marvel." Na verdade, a Fawcett comics havia decidido cancelar a revista do Capitão Marvel devido às baixas vendas e, por isso fechou um acordo com a DC, mas isso não tira o mérito da história em momento algum (caso alguma informação aqui esteja equivocada, por favor me corrijam, ok?)! Bem, como o Carequinha queria ser um herói, o Capitão Marvel manda ele falar com o Mago Shazam, deixando então a sequencia para a edição seguinte.
Na sequencia, temos uma série de tiras de humor de autoria de Renato Canini, bastante conhecido por seu trabalho em ZÉ CARIOCA da Disney pela Editora Abril. As tiras têm como personagem principal o DOUTOR FRAUD em colagens com personagens como CORTO MALTESE (aqui chamado de CORTO MALTÊS), ARQUEIRO VERDE, SUPERMAN, BATMAN E ROBIN e TOM (& JERRY). Muito engraçadas, as tiras eram um ponto muito forte da publicação. DOUTOR FRAUD já havia sido puplicado nas revistas "Patota" e "Pancada" respectivamente das editoras Artenova e Abril. Kern, prolífico escritor, apresentava também a divertidíssima história "O Barão e os Duendes", onde um homem recebe um castelo de herança e junto com ele recebe de presente também sete duendes picaretas chamados CLARK, BRUCE, GORDON, PARKER, MERLIN, GAGUINHO e SACI. Não é difícil advinhas as referencias quadrinísticas aqui presentes! Os desenhos são de Nivaldo, que apresenta também uma página de HQ só sua de OSSILDO e MITZ, um cão e um gato que vivem como... cãoe gato! Divertidíssimas, as duas histórias! Numa delas Ossildo, o cão, nasce de um ovo e há um aviso aos Zoólogos de plantão, que diz: "O cachorro é meu, nasce como eu quero!" Ótimo para calar a boca dos metidos a realistas, embora se trate de uma história de humor! Fechando a edição, a seção "O Mundo dos Quadrinhos" traz duas fichas de personagens nacionais: DETETIVE NELSON, um detetive no estilo das boas e velhas histórias policiais e HOMEM-FORÇA, um super-herói que recebeu seus poderes de ciantistas marcianos para lutar contra o mal, ambos criados por Altair Gellatti na revista "Albatroz" de autoria do mesmo, e que foi publicada em Caxias do Sul, RS de 1967 a 1971 com duração de 46 números. A apresentação destas fichas, que são bem diferentes dos formatos de fichas atuais, que informam idade, peso, altura, poderes e, se bobear, até a cor da cueca do personagem, vinha trazer ao conhecimento do público personagens que não constavam do livro "O Mundo dos Quadrinhos", de Inoaldo Cavalcanti, lançado pela Editora Símbolo. A seção levava o mesmo nome do livro como forma de homenagear Inoaldo por seu hercúleo trabalho em lançar um catálogo com 1.800 personagens de quadrinhos!

Eu li, eu gostei!

Por hoje é só, vejo vocês em breve com mais uma maravilhosa revista da minha coleção! Abraços a todos e fiquem com as bênçãos de Deus!


13 comentários:

José Valcir disse...

Gostei, como disse, texto de fã. E isso é o que vale, pois se não fazemos com Amor, nada dar certo. Parabéns.

Leonardo disse...

Historieta foi massa! Só comprei muitos anos depois, mas tenho os 8 primeiros numeros. Até hoje sou fanzaço do Homem-Justo do Kern que, além de um excelente roteirista era também um homem de grande coração!

Parabéns pelo excelente trabalho de resgate, Sandro!

MEMÓRIA DA TV (E CINEMA) disse...

Amigo,para mim que tive a oportunidade de participar ativamente da saudosa HISTORIETA, inclusive publicando duas HQs mnhas, alguns desenhos,capa etc, e,principalmente por er sido amigo do ainda mais saudoso OCK - entrevistado no meu site abaixo - (bem como a "turma del Sur", "Reverendo" Barwinkel, Delemiro, Anibal Cassall..)é sempre um imenso prazer e nostalgia ler um texto assim e rever estas imagens...Parabéns! Já está em meus "favoritos".
Jose Carlos Neves
www.alanmoore.com.br

Luciano Nascimento disse...

Perfeito, Sandro. Grande homenagem ao Mestre Kern. Sucesso!

Roberto Guedes disse...

Parabéns pela iniciativa e proposta do blog, bem como pelo artigo de estreia. Historieta marcou época e merece esse registro.

Lancelot disse...

Sandro,
Antes, quero lhe dizer, que isto sim é um trabalho de pesquisa... Seus escritos serão fontes referenciados por outros... Quando voce partilha estes registros e divulga na web, como fez, voce presta um grande serviço de informação sobre o quadrinhos nacional... Não podemos ficar circunspectos a poucas publicações no gênero e, este formato de partilha de saber, conhecimento, crítica, abordagem, apreciação, opinião é fundamental para criarmos um senso crítico e também conhecer a nossa cultura quadrinhística e, em particular, advindos de sua coleção de quadrinhos nacionais. Meus parabéns pela iniciativa! Serei seu visitante de carteirinha.
Lancelott

Paulo Ricardo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paulo Ricardo disse...

Sandrão ... espetacular!! Não só a iniciativa do blog como, também, a mais do que justa e merecida homenagem ao meu amigo Oscar, que foi um batalhador pelos quadrinhos nacionais, um grande conhecedor da Era de Ouro dos quadrinhos e um roteirista Disney de mão cheia. Historieta é uma lenda dos quadrinhos/fanzines nacionais, e o fato de ter, em suas páginas, já na primeira edição, feras como o saudoso Barwinkel e o grande Canini comprovam isso. Muito bom, mesmo. Já espero os novos posts.

Sandro Marcelo disse...

Ogrigado pela força e incentivo, meus amigos!

Hiperespaço disse...

Parabéns pela iniciativa, Sandro, e principalmente pela excelente escolha do título para iniciar o blogue. Historieta é um monumento dos quadrinhos no Brasil, e pelo menos duas gerações de fanzineiros têm uma dívida eterna para com seu editor, o saudoso Oscar Kern, por nos ter aberto a trilha.
Por exemplo, o fanzine Hiperespaço, que editei com José Carlos Neves ao longo de mais de 20 anos, surgiu justamente nas páginas da Historieta.
Mais uma vez, parabéns por este blogue inspirador.
Grande abraço e muito sucesso.

Anônimo disse...

Grande Sandrão. Não sabia que você dominava tanto o verbo assim! Texto muito bem escrito, com informações preciosas e transmitindo sua emoção sem exageros. Quando postar mais nos avise.
Abração e parabéns amigo véio.
Andre Bufrem

Zé Borba disse...

Ontem corrigi um erro: há tempos já havia conseguido encontrar o Historieta #01, com a qual o Sandro inaugurou soberbamente seu blog, mas ainda não havia lido, estava lá na pilha junto com as muitas que tenho aqui para ler. Pois bem, ontem li, e agradeço ao Sandro por essa. E já estou me encaminhando para ler as demais edições que tenho, a #02, #03, #04 e #08.

Fernando disse...

Parabéns pelo trabalho, brother! Quanta dedicação! Eu acho que você é bom no que faz. Sucesso!